sexta-feira, 17 de junho de 2016

Um viva à vida.

Quero que a felicidade de estar vivo se derrame em mim
como a água da chuva, o amor de mãe, como os raios do sol.
A vida tem que ser vivida enquanto ainda se anda, se come,
se pensa, se respira.
Não quero ir pro escuro, pro parado, pro estático.
Quero caminhos claros, perfumados, saborosos.
Não quero o fim, mas sim o meio o começo.
Quero o sorriso da menina, ainda que fugidio.
Quero o sabor da moça, que me olha pelo canto do olho.
Quero todos os amigos, beijos e abraços.
Quero a companheira, que me aninha e me sustenta.
Quero a vida, doce, salgada, tranquila e turbulenta.
Enfim, quero tudo, pois estou vivo!
Um viva à vida!

sábado, 11 de junho de 2016

Meu menino.

Meu menino, que não é mais menino, que virou homem,
que virou doutor, que é educador.
Pessoa de um caráter impar, de gênio forte e coração puro.
Um ser amoroso, carinhoso e obstinado em seus ideais.
E o menino segue seu caminho, enchendo pai e mãe de
orgulho e felicidade.
O que mais posso desejar?
O guerreiro faz mais um ano.
Feliz aniversário filho!

terça-feira, 31 de maio de 2016

Fragmentos

Imagina um bando de jovens descendo o rio
Buquira num teto de Kombi, nem lembro quantas
vezes naufragamos.
Ir pro bairro do Souzas a pé, por absoluta falta de se ter o que fazer e comprar doces fiado na venda com portas duplas de madeira, com seu interior cheirando a fumo,
doces e cachaça, de frente para pracinha da igreja.
Fumar, beber escondido, uma terrível escassez de dinheiro, parece que ninguém tinha, era um consolo.
Há quarenta anos a vida era muito simples, eu já era um adolescente.
Havia também o Bataclan ou casa da luz vermelha, local que as matriarcas
da cidade odiavam, por motivos óbvios.
Figuras folclóricas e inesquecíveis, como Nhô Dito, bom camarada, muito
pobre, humilde, de um grande coração, já muito velho e sofrido naquela época.
Lampião que jogava futebol de botina... num jogo quebrou o pé de um primo meu com uma botinada, eu mesmo com toda minha magreza era zagueiro do glorioso Várzea Alegre.
Outro era o Dito Barrigudo ou Gabirú, lembro que minha avó lhe dava para beber o resto
de vinagre que ficava na forma de salada, ele adorava aquilo.
Tinha também o José Cândido ou o famoso Zé Pupú, que sonhava em ter um carro.
Isso sem contar minhas paixonites de criança, que foram milhares, lógico que eu
me apaixonava mais de uma vez pela mesma pessoa.
Uma vez botei fogo no paiol de milho do meu avô, meu cúmplice foi tio Antônio, pouca coisa mais velho que eu, eram quatorze tias e tios, minha mãe entrou no meio das
chamas e me salvou, estava para dar à luz a meu irmão caçula.
Tem também as pescarias, carnaval e pererão, bonecos gigantes feitos com balaio de bambu.
Os amores mais sérios, mais sinceros, mais bandidos e mentirosos que já existiram.
Marco esses fragmentos de memória para algum dia tornar a eles e a outros mais demoradamente,
pois fico feliz em relembrar minha adolescência, que foi muito louca, intensa, sofrida, mas
também muito divertida.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Espinhos

A primavera com suas folhas  novas e viçosas  me sorri
através da janela, numa explosão de flores,
que enche os olhos e alegra a alma,
ela tem espinhos.

Rosas de todas as cores com seus aromas, tão delicadas quanto
lindas,
elas
tem
espinhos.

Esses espinhos são uma proteção da natureza para seres tão
frágeis e indefesos.

E você meu amor, onde estão os seus?

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Ébano

Do teu adeus farei meu ponto de partida.
De minhas lágrimas criarei um lago sereno, onde
navegarei seguro até que a dor se dissipe.
Do teu escárnio, fundirei um escudo, que me protegerá
de pessoas iguais a você.
Mas, de tua lembrança, farei uma linda escultura para
que eu me lembre sempre como sobrevivi a você.
E, de todo o resto que sobrar de você, farei lenha, a qual
queimarei na minha noite mais escura!

sábado, 30 de janeiro de 2016

Dia de sol

Alguém construiu um castelo de areia no meu caminho,
não consigo passar.
Atrás de mim um mar de lava incandescente se aproxima
rapidamente,
estou cercado!
Quem sabe a chuva pode me salvar?
Mas esta um dia tão lindo, com um sol tão intenso,
o céu de um azul maravilhoso, que pena se chover!

sábado, 2 de janeiro de 2016

Francisco.

Na estrada empoeirada pego uma beira no
carro de boi, o som que as rodas fazem é
mágico.
O carreiro está indo buscar capim napier e cana
para o gado de leite, ele é meu amigo.
O carreiro é Francisco e a junta de bois é avermelhada
muito bonita de se ver, iguaizinhos com chifres curvos e grandes.
Lembro do canto e das cores de muitos pássaros, a paisagem do
lugar exuberante, um sonho de linda.
Francisco era muito engraçado, ele tinha uma brincadeira de
apertar a mão da gente e segurar firme, enquanto isso mordia
a própria língua, ele já era um pouco idoso e ria muito.
Eu e meus primos deixávamos de brincar para estar com Francisco,
que era muito melhor do que qualquer brincadeira que pudéssemos imaginar.
Francisco era muito popular, todos nós tínhamos ciúmes dele.
Francisco amava a todos nós, e eu amava Francisco, ele era meu avô
chiquinho!